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Língua portuguesa: primeiros passos para a gramática

Língua portuguesa - leia e entenda - depois, estude a gramática

Os gramáticos têm um jeito próprio de explicar os fatos linguísticos e, as pessoas, por sua vez, também têm a sua própria maneira de estudar e entender as coisas. Mas, de uma coisa estejamos certos: sem entender o que se está lendo, é impossível estudar o que quer que seja.

Esta página é dedicada às pessoas que têm dificuldade para estudar a língua portuguesa. Os fatos, a princípio, serão explicados numa abordagem maior, mas, aos poucos, o assunto irá se afunilando, as expressões se repetindo, e os conceitos serão apreendidos, sem que o estudante se dê conta.
Embora, atualmente, haja uma discussão sobre se deve ou não ensinar a gramática da língua portuguesa, optamos pelo ensino dela, sim, por uma abordagem dupla: semântica e sintática, ou seja, procurando entender o sentido das funções das palavras na frase. Primeiramente vamos ver o que há de comum entre frase e oração.

Frase e oração

De uma modo geral, os conceitos de frase e oração são meio misturados. Uma frase pode ser constituída de uma só palavra, desde que tenha sentido, entonação, e tem a função de estabelecer uma comunicação; a oração necessariamente há de ter um verbo.
Ex: 'Fogo!' (este é um exemplo clássico) - uma só palavra, mas ninguém duvida do que se está enunciando – um alerta sobre a ocorrência de incêndio. Uma simples palavra foi capaz de expressar uma mensagem de perigo. O que devemos nos recordar é que a frase cumpre um propósito comunicativo e a oração necessariamente há de ter um verbo.

Isso posto, podemos dizer que as palavras constituem as frases; as frases constituem os parágrafos e os parágrafos constituem o texto. Uma frase isolada pode ter ( e geralmente tem) uma interpretação diferente do que se ela estivesse dentro de um texto. Por exemplo:

“Marta é uma menina de ouro.”
1. Podemos dizer que:
Como não há antecedentes que nos dê mais informações, dizemos que é uma frase de sentido afirmativo e qualificadora, pois alguém afirma que uma determinada pessoa é uma menina muito importante. Mas, e se essa frase estivesse inserida no fragmento de texto abaixo, haveria outra interpretação para ela? Vejamos:

(..) “Minha filha está sempre se metendo em encrencas, sempre querendo resolver o problema de todos: trouxe o gorro de tricô da professora para consertar, fez as tarefas de inglês do João, revisou o texto da Joana, e encerrou a semana trazendo um gato machucado e desamparado – Marta é uma menina de ouro!! E eu sou a mãe da samaritana! - já não tinha nem agulhas, nem caixinha com cruz vermelha... pneu furado, audiência na quarta e madrinha de casamento na sexta! Literalmente, eu a proibi de envolver-me em suas caridades.”

No enunciado acima, a mãe revela que a filha gosta de ajudar as pessoas, mas que acaba envolvendo-a - as marcas do envolvimento da mãe estão nas expressões já não tinha nem agulhas, nem caixinha com cruz vermelha. O termo 'agulhas' remete para o conserto do gorro de tricô, que certamente era a mãe que deveria consertá-lo, tanto quanto a caixinha de cruz vermelha significando que não havia medicamentos para socorrer o gato e nem havia possibilidade de comprá-los, o que deduz-se pela expressão 'pneu furado'.
Certamente, outros compromissos também a afetam audiência na quarta e madrinha de casamento na sexta. Num texto, portanto, nada é gratuito, todas as expressões são significativas, as exclamações, as reticências, tudo é importante. Muitas vezes, há expressões que temos, para entendê-las, buscar seu significado fora do texto, em nosso conhecimento de mundo. O termo 'samaritana' é um desses: remete para um fato bíblico, referindo-se a um homem que não ficou indiferente ao sofrimento alheio. A mãe fecha o seu grau de estresse com a filha, ao dizer que é a mãe da samaritana e proibiu-a de envolvê-la em suas caridades.

Portanto, nesse contexto, a frase "Marta é uma menina de ouro!" significa uma ironia, embora temperada com carinho. Para entender o sentido da frase foi necessário ler os outros enunciados. Entendemos que para 'apanhar' o sentido das palavras, muitas vezes, é necessário recorrer a outros termos dentro do texto ou até fora dele, a elementos extra-linguísticos.

Até aqui falamos de entendimento de uma frase isolada ou num contexto. Agora passemos para a abordagem sintática, isto é, a relação que tem umas palavras com as outras, dentro da frase. Vamos focar no verbo desta nossa frase, que é o verbo ser e aproveitar para falar um pouquinho do predicativo do sujeito

'Marta é uma menina de ouro”.
a) 'é'(1) - elemento que representa o verbo e está na 3ª pes. do singular, concordando com 'Marta'(1) e constituindo um predicado nominal, por ser um verbo de ligação. O predicado nominal é constituído por um predicativo do sujeito.
b) 'Marta' – é o sujeito da oração (termo com o qual o verbo concorda).
c) 'uma fada cor-de-rosa' - termo atribuído ao sujeito, ligado a ele por um verbo de ligação (ser) e por isso, tem a função de predicativo do sujeito.

notas:
(1) Os verbos ser, estar, permanecer, ficar, parecer ( e outros, que podem, eventualmente, tomar o sentido desses) são chamados verbos de ligação e seu complemento, chama-se predicativo do sujeito. O predicativo pode ser representado por várias classes de palavras: substantivo, adjetivo, pronome, numeral e até uma oração substantiva predicativa. Outros exemplos:

Os alunos estão apreensivos. (adjetivo)
Esses livros são meus. (pronome possessivo substantivo)
Essas meninas parecem borboletas. (substantivo)
A vida é uma canção (num/substantivo)

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