Não há falar em legitimidade ativa
Dúvida: não há falar em ...
Apenas para apimentar a questão lida em outro artigo sobre não há que se falar/não há de que se falar, no meio jurídico tem-se passado a usar a expressão não há falar (ex.: não há falar em ilegitimidade ativa), ao invés de não há que se falar. Não sei qual o fundamento nem se está correto, mas percebo que seu uso vem aumentando.
Pois é. Uma das regras de uso de verbos no infinitivo não flexionado diz respeito a quando se pretende expressar um sentido genérico, para isso,
geralmente, ele vem acompanhado de artigo, o que lhe dá uma característica de substantivo: o falar/ o escrever/ o dizer, etc.
Mas, a expressão em questão não há falar em ..., embora pareça estranha, parece apontar, sim, para o sentido genérico, uma expressão
adverbial empregada no sentido de não se pode falar em ... não é possível falar em.. ou não podemos falar em... ou outras correspondentes.
Em todos os meios, há expressões próprias geradas pela própria comunidade e entendidas como legítimas. No entanto, para a geração de sentido,
assim como para a verificação da gramaticidade de qualquer expressão em uso, é importante verificar o enunciado que vem após esse tipo de expressão.
Veja como fica se acrescento uma marca concessiva após a adverbial:
“Não há falar em legitimidade ativa senão quando se...” “Não há falar em legitimidade ativa em se tratando de...”, etc.
