Prática de Interpretação de textos
Falando um pouco sobre textos.
Apresento nesta seção um modelo (um deles) de prática de interpretação de textos.
- Vou ler o texto abaixo. É um editorial intitulado Habilitação Médica. É um texto dissertativo
argumentativo, porque expressa a opinião de quem escreve. - O que será
que o autor pretende dizer ao leitor (no caso, eu)? - O que me sugere esse título?
O que eu já sei sobre isso? Jornais... jornais, deixa-me ver o que a mídia anda falando
sobre habilitação médica. - Vem comigo!
seção - Opinião - Editoriais
Habilitação médica
Na vigorosa entrevista que concedeu à Folha, o médico e pesquisador Ricardo Brentani, um dos mais renomados oncologistas do país, defendeu o fechamento imediato das escolas médicas que forem mal avaliadas no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Seu argumento é o de que o Brasil já conta com um número suficiente de médicos. Não faz sentido, portanto, manter em funcionamento 170 cursos, muitos dos quais sem condições mínimas de ensino.
De fato, o fechamento das escolas com reiterado mau desempenho em exames nacionais seria uma
medida saneadora, mas ainda assim insuficiente para a defesa da saúde pública.
É urgente criar um exame de habilitação obrigatório para médicos nos moldes daquele que existe
para advogados, com provas teóricas e práticas. Embora profissionais com deficiências de formação
dificilmente consigam passar em concursos ou conquistar bons empregos na rede privada, eles
amiúde são contratados em caráter emergencial por hospitais e pronto-socorros públicos, nos
quais a carência de mão-de-obra é uma constante.
No interior e nas periferias das metrópoles, muitas vezes são os médicos menos preparados que ministram o primeiro atendimento, o que pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Um meio prático de combater essa distorção seria introduzir o exame, que impediria bacharéis sem condições mínimas para clinicar de exercer a medicina.
Infelizmente são fortes as resistências à obrigatoriedade do exame -que, de resto, é
adotado em vários países, como os EUA e o Canadá. Elas vêm principalmente de proprietários
de escolas, mas também de setores do Conselho Federal de Medicina.
São essas resistências que, em nome do bem comum e da saúde pública, precisam ser vencidas.
(http://www.unesp.br/aci/clipping/120508i.php \acesso em 06-07-2009)
Procedimentos:
- Em primeiro lugar, faço uma pergunta a mim mesma: o texto acrescentou-me algo novo? - Sim,
e explico: há nele uma espécie de denúncia sobre médicos, especialmente, recém- formados.
O editorial argumenta e endossa um pedido para fechamento de escolas médicas que tiverem mal
desempenho no ENADE. Falou que profissionais com deficiência de formação têm dificuldades de
serem aprovados em concursos e conseguir empregos, enquanto médicos são contratados para
atender emergências sem qualquer tipo de avaliação. É isso? - Você que leu comigo, o que acha?
- Percebi também que quanto maior for a minha visão de mundo, mais facilidade terei para
compreender fatos, notícias, etc. No nosso texto, por exemplo: eu sabia o que era a Folha -
que é um Jornal de grande circulação no Brasil.
Um dado novo para mim foi sobre o pronunciamento
do médico oncologista chamado Ricardo Brentani - eu não o conhecia, e você? Não sabia que há 170
cursos de medicina - esse foi outro dado novo. Sobre o ENADE foi um dado velho, eu já sabia.
Ah, a comparação que o artigo fez entre os cursos de medicina e os de advocacia se referia ao
exame da OAB, não é? - Nossa, é um referencial fora do texto, hein? E sobre o que ele falou sobre
o os países EUA e Canadá? E esse pessoal que está contra o sugestão de fechamento, viu quem são?
Conclusão:
Achei muito interessante o texto, não tanto pelo que me acrescentou, muito disso já sabia, mas
sim, pela tomada de atitude que ele sugere - assunto de cidadania, não é? Então,
concluímos que para interpretar um texto, queira ou não, a gente acaba se
posicionando diante dele. Que bom! É isso que contribui para o conhecimento de
mundo das pessoas.
