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08-08-2013. João Batista de Souza

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Afinal, o que é o conto? Como defini-lo?

O conto, contar estórias, evoluiu da oralidade para o registro escrito e, segundo Nádia Gotlib (1988), conserva características tanto da fábula quanto da parábola, tanto na economia de estilo quanto na proposição temática resumida. A arte clássica determinava que entre as normas estéticas a serem apreendidas, estava a de obedecer à ordem: princípio e fim na estória. Pode-se entender o conto como o que tem uma unidade de tempo, de lugar e de ação e “que lida com um só elemento: personagem, acontecimento, emoção e situação” (GOTLIB, 1988, p.59). Para Edgar Allan Poe, escritor norte americano, tal teoria recai sobre o princípio da relação entre a extensão e a reação provocada no leitor.

Outra definição de conto é de que este possui uma forma narrativa de menor extensão que o romance e a novela, além de características estruturais próprias. Diferentemente destes, que representam o desenvolvimento ou o corte na vida das personagens, aquele representa um flagrante, registrando um episódio singular e representativo, o que resulta em uma harmonização dos elementos selecionados. O conto também apresenta os mesmos elementos do romance, porém delimita fortemente o tempo e o espaço e normalmente, apresenta-se em quatro partes: apresentação, complicação, clímax e desfecho (SOARES, 2004).

Fazemos aqui, uma análise do conto O coração Denunciador, de Allan Poe, segundo a definição de Angélica Soares (2004), demonstrando a estrutura dessa forma de narrativa, delimitada em suas partes:

“E observai quão lucidamente, quão calmamente vos posso contar toda a história.” (POE, 2000a, p. 202)

“(...) bem lentamente, fui-me decidindo a tirar a vida do velho e assim libertar-me daquele olho para sempre.” (POE, 2000a, p. 202)

“Já estava com a cabeça dentro do quarto e a ponto de abrir a lanterna, quando meu polegar deslizou sobre o fecho de lata e o velho saltou da cama, gritando: “Quem está aí?”” (POE, 2000a, p. 203)

“–Vilões! – trovejei. – Não finjam mais! ... aqui, aqui! ...ouçam o bater do seu horrendo coração!” (POE, 2000a, p. 202)

Vale ressaltar ainda que, segundo Nadia Gotlib (2008) o conto termina num clímax, já no romance, o clímax “deve encontrar-se em algum lugar antes do final”, e termina por epílogo ou falsa conclusão. Esta teoria sobre o conto pode ser verifica em ‘Manuscrito encontrado numa garrafa’, de Edgar Allan Poe.

Angélica Soares (2004, p.55) cita que “Não devemos confundir o conto literário com o popular folclórico, ou fantástico, como os de Grimm ou Perrault, ainda caracterizados pela oralidade”.

Os contos datam desde 4.000 aC, com os contos egípcios ou contos mágicos. Não se pode esquecer das histórias das “Mil e uma noites” que datam do século X dC, na Pérsia, e também dos contos de Perrault e dos Irmãos Grimm. Com Poe, estes se consagraram como contos góticos e contos policiais (GOTLIB, 1988). Há uma série de outras definições, porém não é o objetivo deste trabalho o aprofundamento, mas sim, a apresentação do gênero.

Para maiores conhecimentos sobre o gênero vale a leitura do livro Teoria do Conto, de Nadia Battela Gotlib, 1988, além dos contos de Edgar Allan Poe e Machado de Assis, entre outros grandes escritores.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ALLEN, Hervey. “Notícia bibliográfica”. In: POE, Edgar Allan. Poesia e prosa: obras escolhidas. Tradução, Oscar Mendes e Milton Amado. 2 ed, São Paulo: Ediouro, 2000.

CAHEN. Jacques-Fernand. Um isolado: Edgar Allan Poe (1809-1849). In: A literatura americana. Tradução, Yolanda Steidel de Toledo. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1955.

GOTLIB, Nádia Batelha. Teoria do conto. 4 ed, São Paulo: Ática, 1988.

MARIA, Luzia de. O que é o conto. 3 ed, São Paulo: Brasiliense, 1987

POE, Edgar Allan. Poesia e prosa: obras escolhidas. Tradução, Oscar Mendes e Milton Amado. 2 ed, São Paulo: Ediouro, 2000a.

SOARES, Angélica. Gêneros literários. 6 ed, São Paulo: Ática, 2004