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por Gedini em 2013-05-25.

Segmentos consonantais e vocálicos

Mecanismos de produção de segmentos consonantais e vocálicos

(Artigo extraído de anotações acadêmicas com base nos estudos de Thais Cristófaro Silva - Fonética e fonolofia do português)

Para a produção de qualquer som em qualquer língua fazemos uso do aparelho fonador, que compreende: sistema respiratório, fonatório e articulatório.

Cordas vocais e laringe

São músculos estriados localizados na laringe, que podem obstruir a corrente de ar. A função da laringe é impedir a passagem de alimentos deglutidos para os pulmões por meio de abaixamento da glote.

O papel das cordas vocais A glote é o espaço onde estão situadas as cordas vocais.
Quando as cordas vocais estão unidas e a glote fechada, o ar precisa fazer pressão para passar pela cavidade e então, há vibração dessas cordas, produzindo sons sonoros ou vozeados. Ao contrário, se a glote está aberta, as cordas vocais separadas, há livre passagem do ar e os sons são surdos ou desvozeados*. Pode-se testar esses sons colocando a mão sobre a glote (pomo-de-adão, nos homens) e pronunciando, por exemplo: /f/ /v/.

Algumas explicações sobre o processo de produção dos sons

As correntes de ar
Há duas direções para as correntes de ar: egressiva - ar sai dos pulmões e vai para fora (língua portuguesa) e ingressiva - o ar vai para dentro (igbo).

Sons orais, nasais, nasalizados Se o véu palatino está levantado, o ar sai pela boca mais livremente - produz-se sons orais: [b] [s] [a].
Véu palatino abaixado, cavidade oral fechada (lábios, dentes, palato), a passagem do ar é naso-faringal - produz-se sons nasais: [n] [m].
Véu palatino abaixado e sem impedimento de saída de ar para a cavidade oral - produz-se sons nasalizados: [ã] [õ].

Diferenças entre vogais e consoantes

Do ponto de vista articulatório, as vogais diferenciam-se das consoantes pela obstrução da passagem de ar. Quando o ar é obstruído de alguma maneira,produzem-se as consoantes, e quando a passagem é livre, produzem-se as vogais. Por exemplo, as consoantes:
[m] -> há uma obstrução de ar nos lábios.
[t] -> o ar é obstruído por algum tempo nos dentes e depois é solto de uma vez.
[s] -> o ar não é obstruído na cavidade oral, mas também não sai livremente: a língua deixa pouco espaço e o ar sai com uma certa fricção.
Por exemplo, as vogais:
[a] [i] [u] -> o ar sai livremente sem entrave de algum articulador na cavidade oral.

Classificação das consoantes

Segundo a autora, as consoantes são classificadas:
a) pelo lugar ou ponto de obstrução;
b) pelo modo como o ar é obstruído;
c) pelo vibração das cordas vocais.

Articuladores ativos e passivos
Os articuladores ativos movimentam-se em direção ao articulador ativo e é isso que faz a diferenciação de sons. A língua, o lábio inferior, o véu palatino e as cordas vocais constituem o quadro dos articuladores ativos. Os passivos são: o lábio superior, os dentes superiores e o céu a boca ( alvéolos, palato duro, palato mole e úvula. São chamados passivos, porque não se movimentam, apenas recebem movimentação dos articuladores ativos.

Segmento nasal ou oral
O véu palatino é popularmente chamado de 'céu da boca'. No final do véu palatino encontra-se a úvula>, conhecida como 'campainha'. Quando a úvula está levantada, a produção do som é 'oral', pois há obstrução do ar para a cavidade nasal. Mas se dissermos: ããã... , a úvula vai abaixar-se e o som produzido será 'nasal', pois ao contrário, a obstrução do ar ocorrerá para a cavidade oral e assim, a ressonância é nasal.

Modos de articulação

O modo de articulação corresponde aos diferentes modos saída do ar sai pela boca. São eles:

  • Oclusivo:
    Na cavidade oral, os articuladores estão fechados. O véu palatino está levantado e por isso o ar não pode escapar para a cavidade nasal. Mas quando os articuladores se abrem, o ar sai como explosão: consoantes /p/ /b/ /k/ /t/.

  • Nasal:
    Os articuladores estão fechados, o ar não pode passar. Como o véu palatino está abaixado, o ar escapa para a cavidade nasal: manhã, Ana.

  • Vibrante:
    O articulador ativo bate várias e rápidas vezes no articulador passivo (ponta da língua bate várias vezes nos alvéolos): carro e rana (rã) (italiano).

  • Tepe: (vibrante simples)
    Batida rápida e única do articulador ativo no articulador passivo: fora, fraca.

  • Fricativo:
    Os articuladores se aproximam estreitanto o trato vocal. O ar sai produzindo fricção: fava, sã, chave.

  • Africado ( oclusiva com fricativa):
    Primeiro ocorre uma obstrução da passagem de ar como nas oclusivas e depois ocorre uma abertura com fricção como nas fricativas: tia, dia.

  • Lateral:
    A corrente de ar é obstruída na linha central da boca porque o articulador ativo toca o passivo - o ar sai pelos lados da boca.

Pontos de articulação

Os pontos de articulação são denominados de acordo com os articuladores passivos. Conforme o lugar de articulação dos segmentos sonoros, sabe-se qual é o articulador ativo e o qual o articulador passivo envolvido no processo.

Abaixo estão listados os lugares ou pontos de articulação importantes na língua portuguesa:

  • Bilabial: [p] [b] [m]
    Obstrução do ar pelos dois lábios. Os sons bilabiais são produzidos pelo estreitamento ou fechamento do espaço entre os dois lábios. O articulador ativo é o lábio inferior e o articulador passivo, o lábio superior: (pata, bata, mata).

  • Labiodental: [f] [v]
    Obstrução parcial da corrente de ar entre o lábio inferior ( articulador ativo ) e os dentes incisivos superiores ( articulador passivo ): (faca, vaca).

  • Dental: [t] [d] [n] [l] [s] [z]
    Ponta da língua ou ápice ( articulador ativo ) mais dentes incisivos superiores ( articulador passivo ) ou com a ponta da língua entre os dentes. Ex: 'the' (inglês): ( data, nata, lata, sapo, Zanata).

  • Alveolar: [t] [d] [n] [s] [z] [l]:
    Ponta ou lâmina da língua ( articulador ativo ) contra a arcada alveolar (articulador passivo ): ( tala, data, nata, lata, Zanata. O dental e o alveolar representam uma variação de pronúncia - há pessoas que usam como articulador passivo os dentes, outras, os alvéolos.

  • Alveopalatal: (sons correspondentem a /t/ /d/ (dialeto carioca e paulista) e a /ch/ /j/)
    Também denominada 'pós alveolar' - a lâmina da língua ( articulador ativo ) bate no começo do céu da boca, isto é, na parte anterior do palato duro ( articulador passivo ): tia, dia (dialeto carioca), chá, jaca.

  • Palatal: (sons que correspondem a /nh/ /lh/)
    Centro da língua ( articulador ativo ) contra o final do palato duro (articulador passivo ): minha, telha.

  • Velar: [k] [g] (sons que correspondem ao 'r' velar carioca em meio de palavra e ao 'r' carioca no início de palavra.)
    Dorso da língua ( articulador ativo ) contra o véu palatino ( articulador passivo ): casa, galo, rata (dialeto carioca), carga (dialeto carioca).

  • Uvular: [ ] (sons que correspondem ao 'r' de 'orra' (dialeto paulista))

  • O dorso da língua ( articulador ativo ) contra o véu palatino e a úvula ( articuladores passivos ): 'orra, meu!' (dialeto paulista)

  • Faringal [ ] (não há em português )
    A raiz da língua (articulador ativo) contra a parede posterior da faringe (articulador passivo). Ex: 'quando limpamos a garganta'. Exemplo uso: língua árabe.

  • Glotal: [ ]
    (sons produzidos pelas cordas vocais - 'r' de BH em 'carro') ( 'r' brando aspirado): porta (BH), carga (carioca).

Exercícios:
Classificação das consoantes grafadas:

exemplo modo ponto vozeamento
pata oclusiva bilabial desvozeada
bala oclusiva bilabial vozeada
tapa oclusiva alveolar desvozeada
data oclusiva alveolar vozeada
capa oclusiva velar desvozeada
gata oclusiva velar vozeada
tia africada alveolopalatal desvozeada
dia africada alveopalatal vozeada
faca fricativa labiodental desvozeada
vaca fricativa labiodental vozeada
sapo fricativa alveolar desvozeada
casa fricativa alveolar vozeada
chá fricativa alveolopalatal desvozeada
genro fricativa alveolopalatal vozeada
mala nasal bilabial vozeada
nada nasal alveolar vozeada
banha nasal palatal vozeada
tango nasal velar vozeada
plana lateral alveolar vozeada
sala lateral alveolar vozeada
malha lateral palatal vozeada/ velarizada

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Sobre o artigo

Este conteúdo foi originalmente criado por Gloria Galli, nome de usuário Gedini, em 2013-05-25 e está disponível com a licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 3.0 Brasil. Outros autores também podem colaborar com este artigo.

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