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Realismo/ Naturalismo/ Parnasianismo


Gloria Galli

Categorias: Realismo | Naturalismo | Parnasianismo | períodos literários |

Contexto histórico – Europa na segunda metade do século XIX.

Esse período foi um época plena de desenvolvimento científico na Europa: as máquinas trazem grande desenvolvimento no transporte e comunicação; uso da eletricidade; do ferro (estradas de ferro, entre outras atividades) entre outros avanços. A Europa vive o desenvolvimento industrial. Em paralelo, a miséria cresce nas classes operárias na medida do crescimento do desenvolvimento industrial. Com isso, intensificam-se as revoltas sociais, principalmente na Inglaterra, França e Itália.

Surgem tentativas de mudança no campo da política e na ciência. No campo das atividades literárias há um movimento contra o subjetivismo. É o momento do racionalismo, da crítica; no lugar dos heróis, o poeta quer as pessoas comuns com seus defeitos, suas fraquezas. Esse foi o clima que compôs três movimentos que se entrelaçaram: realismo, naturalismo e parnasianismo.

O Realismo quer expressar-se de forma, praticamente, documental, de forma lenta, no tempo psicológico do personagem; quer entrar nas minúcias dos diálogos e na intimidade das pessoas. O Naturalismo introduz o caráter científico ao Realismo - o homem é produto do meio, resultado do ambiente social e da hereditariedade psicofisiológica. O Parnasianismo reforça os valores clássicos – daí o equilíbrio entre razão, objetividade, purismo linguístico e perfeição formal.

Essas novas tendências apoiavam, portanto, o positivismo, que defende a ciência como o único ponto válido; o darwinismo, que demonstrou que a natureza selecional os mais fortes e o determinismo, que crê que é o meio, raça e momento histórico que determina o comportamento humano.

O Parnasianismo

Movimento Realismo/Naturalismo, nascido na França com a publicação do Le Parnasse Contemporain. Segundo a lenda, Parnassus era um monte na Grécia, onde se reuniam os poetas.

O movimento tem como lema: A arte pela arte. Isso significa tem que ter como centro a própria arte e não os sentimentos do poeta – chega de sentimentalismos, é hora da ciência. Portanto, retorno ao Classicismo, porém de forma mais formal. Dessa forma, as manifestações literárias têm como eixo o retorno ao Classicismo e a rigidez formal.

São características desse movimento

• A arte pela arte;
• Gosto pelas descrições (modelo classicismo);
• Rigidez formal: linguagem culta e direta;
• Objetividade;
• Linguagem poética, de preferencia, soneto;
• Narrativa lenta, acompanhando o tempo psicológico;
• Intimidade do eu-lírico com o personagem;
• Universalismo;
• O herói é um homem comum, com seus problemas e fraquezas;
• Linguagem rica de adjetivos, descrições, imitação do real;
• Exotismo, termos extravagantes;
• A mulher é vista com naturalidades, com seus defeitos e/ou qualidades;
• O amor está subordinado a interesses sociais.

Parnasianismo no Brasil

A primeira manifestação brasileira ocorreu em 1878, com a polêmica causada pela Batalha do Parnaso, publicação em jornais cariocas de versos que atacavam a arte de escrever do Romantismo. Em 1882, o livro de poesias Fanfarras, de Teófilo Dias marca o início do parnasianismo brasileiro.

Autores brasileiros

Alguns excertos

"No breve correr dos dias
Sob o azul do céu – tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração

..
"Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o passado é presente.
" ...(Machado de Assis)

Características:
Efemeridade: «No breve correr dos dias»
Limites indefinidos: « no mar da vida»
Inquietação/aspiração: «Ao nosso espírito ardente,»
Desejos intensos: «Na avidez do bem sonhado,»
Descontentamento/frustração: «Nunca o presente é passado»

A lua banha a solitária estrada...
Silêncio! ... Mas além, confuso e brando,
O som longínquo vem-se aproximando
Do galopar de estranha cavalgada”

... (Raimundo Correia. A cavalgada)

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...

... (Raimundo Correia. As pombas)

Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto-relevo
Faz de uma flor
..
Por isso, corre, por servir-me,
Sobre o papel
A pena, como prata firme
Corre o cinzel.
"

"Corre: desenha, enfeita a imagem,
A ideia veste:
Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem
Azul-celeste

... (Olavo Bilac. Profissão de fé)

Prosa - Comentários:
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos!
(Memórias póstumas de Brás Cubas. Machado de Assis)

...
Como vês, Capitu, aos quatorze anos, tinha já ideias atrevidas, muito menos que outras que lhe vieram depois; mas eram só atrevidas em si, na prática faziam-se hábeis, sinuosas, surdas, e alcançam o fim proposto, não de salto, mas aos saltinhos.
(Dom Casmurro. Machado de Assis)

FONTE CONSULTADA:
TUFANO, Douglas. Estudos de Literatura Brasileira. Editora Moderna. 1990
CEREJA, W.R; MAGALHÃES, T.C. Português: linguagens. Editora Atual.vol. único.
GRIFFI, Beth. Português. Literatura Gramática Redação. Edit.Moderna.1993

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