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Sinonímia e Antonímia


Gloria Galli

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Sinonímia

Na definição de Azeredo, na Gramática Houaiss da Língua Portuguesa, sinonímia é um fenômeno que deve ser descrito, de preferência, em função da variação linguística e, assim sendo, apresentam-se em quatro subtipos:

Essas variantes correspondem às diferenças regionais empregadas pelos falantes para se expressar uma mesma coisa ou fato, por exemplo: no Nordeste costuma-se usar o termo vexado no sentido de apressado. Mas, a significação primeira do termo vexado nos dicionários é envergonhado. Tal exemplo explica a questão da sinonímia regional ou geográfica.

Outros exemplos:

Bala (Centro-Sul) – bombom (Nordeste);
Mandioca/aipim (Centro-Sul) – macaxeira (Nordeste);
Polenta (Centro-Sul) – angu (Nordeste);
Charque (Sul) – jabá (Nordeste);
Marisco (Centro-Sul) – lambreta (Nordeste);
Mexerica/mixirica (Centro-Sul) – bergamota (Sul);
Abóbora (Centro-Sul) – jerimum (Nordeste); entre outros.

Esta questão trata-se de variantes no domínio discursivo no que se refere a estilos. Estas variações ocorrem ou pelo desejo de, dentro de determinados grupos, usar uma linguagem comum, (jornalismo, futebolístico, médico, policial etc.), como se fosse um contrato entre eles ou mesmo pelo desejo de usar um termo mais clássico da língua.

Alguns exemplos de diferentes modos de expressar o mesmo referente entre o senso comum e grupos específicos:

Principiante – foca (termo jornalístico); pato (futebol); pipoca (policial).
Operação – cirurgia (termo médico)
Bandido – meliante (termo policial)
Trave – pau/poste (futebol)

Diferenças de expressão linguística entre o uso popular e a linguagem mais precisa:

Barulhento – ruidoso
Exigência – requisito
Rango – comida
Perfume – fragrância
Reza – oração
Simples – despojado Prestativo – obsequioso

Neste grupo expressam-se diferenças afetivas de depreciação entre:

lento e lerdo; imitar e remedar. Igualmente, percebe-se uma gradação de intenção entre pedir e exigir; entre matar e assassinar; ousadia e temeridade; pobre e miserável; vencer e derrotar.

Com o tempo, os diferentes vocábulos que remetem ao mesmo referente podem variar:
Pão (antiga) e gato (recente) - (beleza masculina);
Surpreso (adulto) e bolado (jovem) – (sensação)

Antonímia

Em situação semelhante são tratados os antônimos. É comum em nossa língua conceitualizarmos contrastes: cheio/vazio; doce/amargo; doce/azedo; doce/salgado; dormi/acordar; duro/mole; feio/bonito/ forte/fraco; ganhar/perder; longe/perto; pequeno/grande; rico/pobre; subir/descer; sujo/limpo; etc.

No entanto, é preciso observar em que se concentra o contraste. Segundo Azeredo, o que se observa na antonomínia é a substituição de um traço relevante o qual se ancora diretamente no contexto em que a enunciação se instaura. Isso ocorre porque mudando o contexto, muda-se também a relação semântica dentre as palavras. Nesse sentido os termos referentes a sinônimos e antônimos se diferenciam.

Nesse sentido, podemos observar:
No papel de agente/paciente são antônimos os termos: matar e morrer.
Com a noção de início e fim da vida: nascer e morrer.
Com a noção de possibilidade: perder e ganhar.
Com a noção de eventualidade: achar e perder.
Noção de interrupção: morrer e sobreviver.

No entanto, a prefixação (quando permite) representa importante ferramenta para a antonímia, o advérbio de negação não:

Armar/ desarmar
Cobrir/ descobrir
Fazer/ desfazer
Feliz/ infeliz

agressão – não agressão
engajado – não engajado
execução – não execução
governamental – não governamental

Segundo Azeredo, a antonomínia se apresenta de quatro modos:
* Complementar

A afirmação de um corresponde à negação do outro e vice-versa: condenar/absolver; falar/calar; direito/esquerdo; falso/verdadeiro; obedecer/desobedecer; vivo/morto.

Representam atributos, estados, situações contrárias, polares: alto/baixo; calmo/nervoso; depressa/devagar; frio/quente; largo/estreito; longe/perto.

Um deles denota um fato ou situação que pressupõe que esteja implicando com outro, mesmo que exprimam conteúdos diferentes: dar/receber; oferecer/aceitar; perguntar/responder.

Incluem-se nesse modo a relação antonímica:

avô/neto; pai/filho; patrão/empregado; professor/aluno.

aproximar/afastar; aumentar/diminuir; avançar/recuar; entrar/sair; subir/desce.

FONTE CONSULTADA
• Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. José Carlos de Azeredo. PubliFolha. São Paulo:2012.
• VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA CULINÁRIA BRASILEIRA: REGIÕES NORDESTE E SUL. Borba e Borba.
http://www.reitoria.uri.br/~vivencias/Numero_010/artigos/artigos_vivencias_10/l27.htm

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