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14-02-2016. Gloria Edini Galli

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O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado... ..
O pescador Aônio, que, deitado
onde co’o vento a água se meneia,
chorando, o nome amado em vão nomeia,
que não pode ser mais que nomeado:
[…]
(Luís de Camões)

O período literário

O Classicismo ou Quinhentismo é o período que corresponde ao Renascimento, movimento inspirado nas ideias dos textos da cultura greco-latina. O movimento surgiu na Itália, no século XV, mas desde o final do século XII havia intelectuais interessados nessas traduções – os Humanistas. Dentre estes, destacavam-se Dante Alighieri, Petrarca e Bocaccio. Essas traduções trouxeram mudanças importantes tais como a substituição do ensino religioso nas universidades pelo ensino laico (separação entre a Igreja e o Estado), o que desobrigavam as escolas de aplicar os ensinos eclesiásticos.

As produções literárias desse período se caracterizam por:
• Influência dos modelos greco-latinos: culto à natureza, nobreza de sentimento (o belo);
• Antropocentrismo ( o homem no centro dos interesses);
• Racionalismo ( predomínio da razão; busca da clareza e equilíbrio de ideias; harmonia);
• Idealização amorosa, neoplatonismo;
• Paganismo (mitologia grega);
• Universalismo (lugar do homem no mundo - pesquisas científicas);
• Nacionalismo;
• Gosto pelo soneto; imitação `as formas clássicas;
• Nova técnica nos poemas (versos em decassílabos - medida nova);
• Busca do equilíbrio formal: linguagem clara, simples, sem excessos.

As descobertas científicas fortalecem o pensamento coletivo para o racionalismo e com isso, o antropocentrismo passa a ser a marca central desse período. O homem passa a se preocupar com o seu cotidiano, com a sua realidade, com os fatos humanos e terrenos e, assim, deixa de se preocupar com a morte e salvação da alma.

Em Portugal
Portugal tem como marco a volta de Sá de Miranda, em 1527 (estava na Itália); o autor trazia novidades – o “dolce stile novo” e, com isso, introduziu a medida nova (decassílabo) em oposição à redondilha ( 5 ou 7 sílabas). Os escritores usam também o soneto (composições de 2 quartetos e 2 tercetos - com decassílabos e rimas rigorosas); a ode ( poesia de exaltação); a écloga ( amor pastoril); a elegia ( revelação de sentimentos tristes) e a a epístola (carta em versos).

O contexto histórico no século XVI

A Europa sofria as consequências da Revolução Comercial, iniciada no século anterior. Como consequência, Portugal passava por um grande desenvolvimento cultural, experimenta a instituição da razão contra a fé medieval, o fortalecimento da burguesia; vive o período das Grandes Navegações com a liberdade da Dinastia de Avis. Dessa forma, a mitologia greco-latina toma o lugar do cristianismo; o antropocentrismo coloca o homem acima de todas as coisas. O homem começa a se acreditar e desperta o desejo de dominar e mudar o mundo. A língua portuguesa também se consolida. Esse pensamento estende-se até o final do século XVIII quando inicia-se o Barroco.

É o início das produções propriamente ditas: João de Barros, Damião de Goes, Fernão Mendes Pinto, Sá de Miranda, Antonio Ferreira e Luís de Camões. Entre estes, Luis de Camões ganha grande destaque.

Camões (1525-1580), grande estudioso da cultura clássica, enaltece o povo português com a obra Os Lusíadas - poema épico que conta os grandes episódios da história de Portugal, principalmente a viagem às Índias por Vasco da Gama. Camões escreve também poemas líricos e na prosa, novelas e crônicas.

A literatura brasileira

A literatura brasileira inicia-se no processo de colonização. Tem sua história dividida em duas grandes eras: a Era Colonial, que vai de 1500 a 1808; a Era Nacional tem inicia-se em 1808, passa pelas transições das chamadas escolas literárias, estéticas literárias, estilos de época e atinge nossos dias.

Quinhentismo no Brasil

Conhecemos como Quinhentismo o período que vai de 1500 a 1601.

À Santa Inês
..
Cordeirinha linda,
Como folga o povo,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo.
Cordeirinha santa,
De Jesus querida,
Vossa santa vida
O Diabo espanta.[…]

Carta de Achamento do Brasil
[...]
E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra, indo os navios pequenos diante, por dezessete, dezesseis, quinze, quatorze, treze, doze, dez e nove braças, até meia légua da terra, onde todos lançamos âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou menos.
..
Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro. Então lançamos fora os batéis e esquifes; e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do capitão-mor, onde falaram entre si. E o capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.
..
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijamente sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos.

Portanto, tem-se como marco histórico do Quinhentismo no Brasil a Carta, de Pero Vaz de Caminha, em 1500. Como encerramento a publicação de Prosopopéia, de Bento Teixeira, em 1601.

Principais autores:
- Pero Vaz de Caminha (A Carta é escrita ao rei D. Manuel.)
- Pero M. Gândavo
- Gabriel Soares de Souza
- José de Anchieta

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