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por Gedini em 2013-05-24.

Falando sobre análise sintática

Elementos da frase e função sintática

Pode-se estudar a gramática observando uma única frase.
Quando se fala em análise sintática, deve-se pensar nas relações entre os elementos de uma frase. A 'sintaxe' observa a colocação das palavras uma ao lado da outra. Estar ao lado de outra palavra tem muito a ver com a função sintática desse termo.Ao tratar de função sintática, a primeira coisa que se fala é em sujeito e predicado. Essa é uma divisão muito antiga, mas ainda em vigor. Escolher uma definição para sujeito e predicado é arriscado a cair no vazio. Considerando o verbo (núcleo do predicado) como ponto central da frase, poderíamos dizer que o sujeito é o principal argumento do verbo.

As classes gramaticais e a ordem na frase

Os gramáticos estabeleceram dois conceitos fundamentais: um, no nível da segmentação das palavras na frase, ou seja, na ordem que elas se situam, umas após as outras, para poder gerar sentido; o outro conceito, refere-se à substituição, isto é,até que ponto uma palavra pode ser substituída por outra, na frase, e continuar gerando sentido. Os linguistas chamam esses conceitos de segmentação e substituição.

As palavras possíveis de substituição e continuar gerando sentido numa frase, num enunciado, foram agrupadas em classes pela sua relação se semelhança. Daí, surgiram as diversas classes gramaticais, tais como:

substantivos, adjetivos, advérbios, preposições, interjeições, conjunções, artigo, numeral, pronomes, verbos.

Os elementos que pertencem a essas classes ao se organizarem dentro da frase, e, dependendo da posição que ocupam, exercem funções especiais:

sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo do objeto, adjunto adnominal, adjunto adverbial, aposto, vocativo, complemento nominal.

nota: (Pode haver alguma diferença na nomenclatura dessas funções, mas não significantes.)

Critério de abordagem

O modelo a ser seguido neste artigo, para abordar a função sintática, será o da gramática tradicional, porém, na medida do possível, serão utilizados conceitos semânticos. Também será considerado relevante a centralidade do verbo, pois, no nível frasal, é fator importante para compreender como os elementos se 'amarram' uns aos outros na frase.

Oração e período

Uma frase que tenha apenas um verbo, chama-se oração e constitui um período simples. Se tiver dois ou mais verbos, constituir-se-á um período composto, pois terá duas ou mais orações. A rigor, uma frase não é uma oração. Frase é todo enunciado com sentido próprio, não precisa ter verbo, mas há de ter uma própria entonação, pois é o que lhe caracteriza o sentido. Portanto, frase e oração nem sempre correspondem ao mesmo sentido.

Exemplos:

«João mora em Botafogo.» (= oração)
Cuidado! Madeira!! Fogo! (= frase)

Ver artigo Períodos e orações

Sujeito e predicado

Este modo de dividir a frase tem origem muito longe. Quando os filósofos gregos investigavam se os enunciados diziam a verdade, já havia embutido naquela filosofia os indícios de sujeito e predicado. Portanto, o conceito de divisão da frase em sujeito e predicado estabelecido pela gramática tradicional tem origem grega. Há várias maneiras de se identificar o sujeito da oração. Entre elas:

  • Pela concordância com o verbo:

«Os meninos pularam a cerca.» (o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa) O sujeito é aquele de quem se afirma alguma coisa ou aquilo que se afirma:
“ Quem pulou a cerca? (o verbo indaga pelo 'sentido' do 'quem')

O predicado, por sua vez, é o verbo da oração e o complemento que ele pede, ou seja, a ação, o processo ou o estado que se afirma sobre o sujeito, a pessoa, ou a coisa referida. Exemplo:

«Os gatos à noite são pardos.»
(O verbo, além de concordar em número e pessoa com o sujeito, predica-o, caracterizando-o ou pela ação que comete, ou pelo processo que está envolvido, ou pelo estado que lhe está atribuindo.)

nota:
Há vários tipos tanto de sujeitos quanto de predicados.
Os sujeitos:

sujeito simples
sujeito composto
sujeito indeterminado
orações sem sujeito

Ver artigo Falando de sujeito e também Sujeitos

Os predicados:

predicado nominal
predicado verbal
predicado verbo-nominal

Ver também Como eu acho o verbo numa frase?

Falando um pouco sobre o verbo

  • Verbos intransitivos «Maria fugiu.»

O verbo fugir/fugiu pede um argumento, pois 'alguém' fugiu. Então precisou de um elemento para completar-lhe o sentido, abriu 'uma' casa vazia apenas, e essa casa vazia foi para o 'sujeito' da oração, mas não precisou de complemento verbal. E quando esses verbos têm complementos, geralmente, estes são classificados com a função sintática de adjuntos adverbiais:
«Maria fugiu à noite.» A essa categoria de verbos, a GT chama de verbos intransitivos - (VI).

Diz-se que esse verbo pediu um argumento, e quando assim ocorre, esse argumento terá a função de 'sujeito'. Geralmente, esses verbos indicam atividade fisiológica e processos que se passam com os seres:
espirrar, tossir, urinar, dormir, acordar, cochilar, etc. Também pertencem a essa classe os verbos de movimento: ajoelhar-se, agachar-se etc.

Há verbos que não pedem argumentos, são argumentos de si mesmo. Exemplo: Anoitecer (geralmente verbos que exprimem fenômenos da natureza). As orações apresentadas por esses verbos são chamadas orações sem sujeito.

Verbos transitivos
Há verbos que pedem dois argumentos. Quando isso ocorre, um terá a função de sujeito e o outro de complemento. Fazem parte desse grupo:

verbos direcionais (ir, vir, chegar etc.);
verbos de apreciação ( apreciar, gostar etc.);
verbos de percepção ( ver, sentir, ouvir etc.);
verbos de afetividade ( gostar, namorar, odiar etc.).

As funções sintáticas dos complementos desses verbos são representadas pelo objeto direto e objeto indireto. O primeiro, quando ligado diretamente ao verbo sem necessidade de preposição (a não ser como recurso de estilo) e o segundo, ligado com preposição. A GT denomina esses verbos de transitivos diretos (VTD), quando introduzem um objeto direto e transitivos indiretos (VTI), quando introduzem um objeto indireto:

«Luiz comprou um carro.» (Luis, sujeito // um carro, objeto direto);
«Luiz gosta de sorvete.» (Luiz, sujeito // de sorvete, objeto indireto).

Verbos bitransitivos
Há verbos que pedem três argumentos. Quando isso ocorre, o primeiro argumento terá a função sintática de sujeito, o segundo de objeto direto e o terceiro de objeto indireto. A GT denomina-os verbos bitransitivos, ou seja, transitivos diretos e indiretos (VTDI).
Fazem parte desse grupo:
- os verbos denominados de atribuição ( dar, doar, empestar etc);
- os de declaração ( dizer, afirmar, contar etc.);
- os de união (unir, atar, combinar etc.):

«Luiz deu um presente ao Fábio.»
(Luiz, sujeito // um presente, objeto direto // ao Fábio, objeto indireto).

Não é só isso que tem uma frase. Existe um outro grupo de palavras, que exprime as circunstâncias, isto é, onde ou como ocorrem os acontecimentos, os fatos: são os advérbios, com função de adjuntos adverbiais:

«Jorge encontrou um relógio no pátio da escola
- a expressão 'no pátio da escola' é o local onde ocorreu o fato e é chamada de expressão adverbial – exerce a função de adjunto adverbial de lugar.

nota: Se considerarmos a frase como um pequeno drama, o adjunto adverbial significa o modo, a circunstância na qual um pequeno drama ocorre. O verbo, obviamente, seria o enredo (teoria de Tesnière), o sujeito e os objetos, seriam os atores.

Mais informações sobre as classes gramaticais:
Os substantivos
Reconhecendo o substantivo e o adjetivo
Quando é advérbio e quando é adjetivo
Preposições - conceitos
Interjeições
Numerais
Falando sobre pronomes

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Sobre o artigo

Este conteúdo foi originalmente criado por Gloria Galli, nome de usuário Gedini, em 2013-05-24 e está disponível com a licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 3.0 Brasil. Outros autores também podem colaborar com este artigo.

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